Seja no cultivo orgânico ou no sistema convencional, o programa ATeG do SENAR, e parceria com o Sindicato Rural de Pindamonhangaba prova que a eficiência financeira é o solo mais fértil para o crescimento.
Muito além de plantar e colher, o produtor moderno precisa ser um gestor de excelência. A antiga rotina de cuidar apenas da terra, sem o controle dos números, costumava limitar os ganhos e esconder prejuízos. O programa ATeG, do SENAR, surge justamente para preencher essa lacuna. Mais do que organizar as contas, o ATeG é o braço direito que assegura a melhoria real da renda, fazendo com que a eficiência administrativa se traduza em progresso no bolso de quem produz, respeitando a vivência do produtor rural.
Para se ter uma ideia, o estado de São Paulo é o maior produtor de hortaliças do Brasil, com predominância da agricultura familiar, que responde por cerca de 80% de tudo o que chega à mesa do consumidor no segmento de folhosas e legumes.

Em Pindamonhangaba, são atendidos 30 produtores de olerícolas, um grupo bastante heterogêneo, segundo o engenheiro agrônomo Leonardo Oliveira e responsável pelo atendimento. “Temos produtores convencionais e sustentáveis, produtores de assentamento, pequenos e médios produtores, mas, é nesse ponto que o ATeG, é importante, pois oferece um atendimento individualizado”, comenta. O atendimento é feito durante dois anos, sendo uma visita mensal, com duração de 4 horas. “O programa nos permite fazer uma análise detalhada da produção, levantando as potencialidades, dificuldades e desafios, e a partir da análise, podemos traçar um planejamento mais assertivo, com plano de ação e metas a serem cumpridas”, explica.
Durante os encontros, o técnico vai acompanhando o desenvolvimento de cada produtor dentro dos objetivos e metas traçados. “Todo acompanhamento é descrito no caderno do SENAR e depois é também colocado no sistema, assim temos um controle mais efetivo de todo o atendimento realizado. Dependendo de cada produtor vamos sugerindo mudanças no manejo, na gestão e até mesmo na utilização de adubação e fertilizantes”, salienta Leonardo.
A maturidade técnica de quem já cultiva em equilíbrio com a natureza
Laerte Carlos Evaristo é produtor sustentável, há mais de 15 anos. Ele planta em sua propriedade, no bairro do Pinhão do Una e comercializa os produtos na feira do centro da cidade e também na feira, na praça do São Benedito. Com uma produção pequena, mas, sempre variada, a horta é um complemento para a aposentadoria. “Eu sempre trabalhei na roça, quando mais novo, ajudava meu pai que plantava tomate convencional, mais tarde, comecei a produzir de forma convencional e depois, após diversos cursos do SENAR, passei a produzir de forma sustentável”, destaca o produtor. Com sede de aprender, o produtor fez cursos em diversas áreas, inclusive, curso de pão artesanal, acorda cedo para fazer a massa, assar os pães que também são vendidos na feira.

Aposentado e com metas bem definidas, Laerte vê na produção rural uma oportunidade de ter ainda mais qualidade de vida, já que trabalhar a terra é quase um lazer. “Eu gosto de trabalhar com a horta, mas, não tenho ambição de aumentar a produção, então o objetivo é mesmo aumentar a variedade de produtos, produzindo com qualidade. Já plantei couve-flor, couve, repolho, tomate e alface. O grande problema, é o clima, se chove demais ou de menos, produzimos pouco e perdemos a produção”, explica.
Para atender a demanda do produtor, a sugestão foi a construção de uma estufa para a produção de hortaliças. “Mesmo para ele que tem uma produção pequena, a produção de forma protegida, traria um grande ganho, já que com a estufa, a produção pode ser mais controlada, produzindo várias culturas no mesmo local”, salientou o técnico do ATeG. Segundo o técnico, o produtor tem muito a ensinar pela experiência que traz ao longo dos anos de trabalho na roça. “Ele é rápido nas atividades de manejo e, mesmo, trabalhando sozinho consegue produzir para atender às duas feiras em que trabalha”.
Para Laerte, produzir é tranquilo, complicado é a parte que segundo ele, é mais burocrática. “A parte de gestão, anotar o tempo de atividade no campo, anotar os gastos. Isso é mais complexo, mas, tenho aprendido muito e, espero atingir os objetivos”, conclui.
Produção convencional, focando na saúde de quem produz e de quem consome
Osvaldo Gonçalves dos Santos também faz parte do grupo atendido pelo ATeG olericultura. Diferente de Laerte, Osvaldo produz de forma convencional, no bairro do Goiabal, em propriedade arrendada e, atualmente, está colhendo pepino caipira, pepino japonês, vagem e quiabo. Em média, o produtor entrega um volume de 600 quilos por semana, no Mercatau, em Taubaté. Até 2010, Osvaldo era metalúrgico e com o fechamento da empresa, decidiu voltar às origens e se dedicar à vida no campo. “Eu sempre morei na roça e quando deixei a indústria, queria trabalhar pra mim mesmo, então decidi empreender no campo”. Experiente na produção, Osvaldo busca cada vez mais, uma produção consciente, que não afete sua saúde, nem a de quem consome seus produtos. “Eu penso que é importante ter esse cuidado. Apesar de ser um plantio convencional, preciso me preocupar em utilizar produtos que não agridam a saúde”, destaca.

De acordo com o técnico, para Osvaldo, que já tem uma produtividade alta, o objetivo é agregar práticas mais sustentáveis à produção. “A sugestão é introduzir produtos biológicos, trabalhar com menos agrotóxicos e aos poucos migrar para a produção sustentável”, explica. Ele ressalta, que Osvaldo já faz gestão de custos e também é um produtor diferenciado. “Ele pensa como cientista, trabalha com sementes selecionadas e faz testes com plantas, dessa forma, consegue produtos melhores, a cada plantio”.

Para o produtor, a assistência tem sido um aprendizado. “Em todos esses anos, eu nunca tive o acompanhamento de um profissional, então acredito que tenho muito que aprender”, comenta. De acordo com Osvaldo, o novo ainda assusta. “Tenho minha rotina, então quando alguém traz uma novidade, eu ainda fico um pouco com o pé atrás, mas, tenho que estar disposto a aprender. Quando me falaram do sistema de gotejamento, achei que não funcionasse e hoje, eu utilizo, e tenho muito mais economia no processo”, conclui.

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